Maison Hermès
- Jul 3, 2017
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A Maison Hermés inaugurada em 1837 em Paris, construiu uma sólida história com artigos de couro de altíssima qualidade e outros acessórios de luxo: desde arreios para cavalos, lenços cobiçados mundialmente e suas icônicas bolsas Kelly e Birkin.
Uma das minhas preocupações para ser uma das melhores Consultorias de Imagem & Estilo é estar sempre em busca de repertório. De que adianta eu propor uma determinada marca para um (a) cliente se não tenho conhecimento algum da sua história e de seus valores?? O que tal marca tem de tão especial?? Em um mundo globalizado e conectado, reconheço ser difícil ter todas as respostas para tanta oferta de informação. Mas cabe à nós consultores procurar sempre prestar um serviço de alta qualidade, tirar todas as eventuais dúvidas e de procurar saber as respostas à perguntas não elucidadas.
Assim sendo, começarei a publicar matérias sobre grandes maisons e conforme pedidos, de outras marcas também. Além de fazer um relato breve da sua história, vou listar seus principais produtos e o por quê de serem objetos de desejo.

O fundador da Maison Hermès, Thierry Hermès, nasceu na Alemanha em 1801, filho de uma alemã e um francês. Aos 20 anos após perder toda a sua família para guerras e doenças, migrou para Paris onde em 1837 abriu uma pequena oficina, especializada em fabricar equipamentos de equitação em couro.

Com o passar dos anos e com o aprimoramento da qualidade de seus produtos, passou a produzir artigos de luxo. Morreu aos 77 anos e os negócios da empresa continuaram nas mãos de seu filho Charles Emile-Hermès e de seus netos, Adolphe e Emile-Maurice e, em seguida, por diversas gerações posteriores. Hoje a empresa é comandada por Axel Dumas, membro da sexta geração da família.
A marca é reconhecida mundialmente por seus diversos lenços, gravatas, roupas, relógios, joias, perfumes e acessórios de couro. Vou me ater à três grandes objetos de desejo do mundo contemporâneo feminino: os lenços e as Bolsas Kelly e Birkin.
Lenços Hermès – para a marca, não são apenas lenços: são carrés. O termo traduz uma mulher irresistivelmente avoada, com uma elegância sutil que ultrapassa tendências e gerações.

A tradução propriamente dita da palavra francesa carré é um quadrado. Sem grandes pretensões, o début aconteceu em 1937 quando os cunhados Robert Dumas e Jean René Guerrand (membros da quarta geração da família Hermès) resolveram colocar na vitrine de sua loja um pedaço de seda. Sucesso total.
Cada carré mede 90 cm x 90 cm, pesa 65 gramas e equivale a 4 km de fio de seda produzidos por 250 bichos-da-seda. O processo de confecção pode levar até 18 meses. Suas estampas podem ser pinturas primitivas que mostram figuras humanas vestidas de pele (acreditava-se que assim poderiam incorporar características místicas do animal caçado), motivos equestres, cenas cotidianas e naturezas mortas. E tudo em um mix de cores conhecido como um “arco-íris de seda”.

Famosas que usam os lenços Hermés: Claudia Feddersen, Rainha Elizabeth II, Grace Kelly, Audrey Hepburn, Catherine Deneuve, Jacqueline Bouvier Onassis, Sharon Stone, Sarah Jessica Parker, Hillary Clinton, Elly McPherson, Miranda Priestley e Madonna.

Bolsa Kelly – as bolsas de viagem Hermès clássica, conhecida como haut à courroies (bolsa alta com alças) foi lançada em 1930 com o nome de petit sac de voyage à courrouie, pour dames. Cada bolsa é feita à mão e a tarefa é realizada por um único artífice, cujo nome é estampado dentro da bolsa, junto com a data de fabricação. Essa prática, além de útil caso a bolsa precise de reparos, também serve como marca de validade para verificar se a bolsa é ou não uma falsificação. Quanto ao seu apelido Kelly, não há um consenso.

A versão mais famosa é de que a Princesa de Mônaco a usou na região do seu ventre para esconder uma ligeira gravidez. No entanto, as fotos do seu noivado já mostram um exemplar dessa mesma bolsa. Desde então, a bolsa passou a ser assídua nas composições de seus looks. E surfando nessa onda, a marca resolver apelidá-la carinhosamente de Kelly, tornando-se um acessório muito cobiçado até os dias atuais. As versões vintage chegam a valer fortunas.

Bolsa Birkin – batizada e confeccionada em homenagem à atriz, cantora e celebridade inglesa dos anos 70 e 80 Jane Birkin.

Mesmo já sendo uma cliente da Hermès, Jane não gostava da bolsa Kelly por não ser funcional às suas necessidades. Na verdade, ela usava uma bolsa de palha à tira-colo. Até que um vôo de Londres a Paris um senhor a questionou sobre o por quê de tal bolsa.

Ao elencar suas necessidades, tal senhor que era nada mais nada menos que o presidente da Hermès, Monsieur Jean-Louis Dumas, solicitou a confecção da bolsa ideal para a Srta. Birkin.

100% artesanal, feita a partir de uma peça de couro apenas, possui a assinatura do artesão responsável. A fila de espera para comprar uma pode chegar até seis anos. De acordo com relatos publicados na imprensa, Victoria Beckham tem mais de cem bolsas Birkin, formando uma coleção de que chega a valer 1,5 milhão de libras.

Diferenças entre uma Bolsa Kelly e uma Birkin:

Bolsa Kelly:
- Só possui uma alça;
- Sua base possui tachinhas que evitam seu contato direto com uma superfície.
Bolsa Birkin:
- Tem alça dupla;
- É maior que a Bolsa Kelly.
O mais curioso é que os maiores sucessos da marca não foram frutos de alguma estratégia ou planejamento: a simples intuição e o puro acaso foram os grandes norteadores. No caso dos carrés, a ideia era usar a mesma seda das camisas dos jóqueis, inspirados nos lenços dos soldados de Napoleão, mas voltados para um público feminino. A Bolsa apelidada de Kelly foi uma “carona” que a marca pegou com o fato de uma atriz de Hollywood e em seguida Princesa de Mônaco ter sido fotografada em momentos específicos de sua vida. E a Bolsa Birkin de um desabafo de uma atriz inglesa sobre qual seria sua bolsa ideal.


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